Resumo da 1ª Feira do Livro de Manaus e uma “mini entrevista” com Guilherme Fiuza

Então pessoas, como vocês estão? 😀

Vim aqui para contar um pouco sobre a 1 Feira do Livro de Manaus pois acabei de lançar no canal do YouTube a terceira e última parte das gravações que foram feitas lá pela equipe do Moral da História! 😀
Está bem legal, não deixem de dar uma olhadinha lá com as entrevistas e pouco mais.

Entrevistados: Jan Santos (escritor), Tatiana Malafaia (psicóloga), José Castello (crítico e escritor), Marinho Junior (organizador do evento), Luis Eduardo Matta (escritor) e Guilherme Fiuza (crítico e escritor).

Feira do Livro - Parte 1Feira do Livro - Parte 2Feira do Livro - Parte 3

Bem, primeiro quero registrar que foi uma surpresa tudo que pudemos fazer lá: as pessoas que entramos em contato, os autores e figuras que entrevistamos e todo o carinho dos organizadores do evento. Simplesmente foi incrível, todos foram super simpáticos e prestativos.

Mas vou resumir pontuando os pontos negativos e positivos do que pude presenciar na Feira, ok?

Os pontos negativos (na minha opinião) foram:
– A Feira foi bem pequena na minha opinião, digo em variedades de editoras e opções de compras, né?
– Os valores não estavam nada acessíveis nos stands que eram do meu interesse.
– E tinha muitos outros stands, mas de literatura cristã, que apesar de não ter nada contra, normalmente esse tipo de leitura não me atrai, então, de fato, sobraram poucas opções para mim =/ e Infelizmente sai de lá apenas com dois livros, sendo que um foi para dar de presente. #consumistaschoram

Os pontos positivos foram:

– O bom trabalho de ter trazido para cá autores conceituados ou que no mínimo iriam atrair um público jovem para conhecer histórias e o mundo da leitura. Ex.: Tico Santa Cruz, Guilherme Fiuza, Luis Eduardo Matta, José Castello, Gabriel, o Pensador, entre outros;
– O trabalho com o público infantil e jovem, oferecendo vários atrativos como as peças do grupo Metamorfose, os corais de canto e os convênios com escolas.
– A oportunidade oferecida a novos escritores, como foi o caso do Jan Santos.
– Os organizadores do evento, que foram uns fofos, super simpáticos e prestativos para ajudar a todos ali.
– A disposição do espaço estava ótima, com sala para a impressa, sala para o Bate-Papo dos autores com o público, ambiente para ter uma conversa legal com os amigos, lanchonete e espaço para apresentações teatrais (além dos stands, é claro).
– E, por fim, a relação próxima do leitor com o escritor, que foi oportunizada através dos bate-papos e das sessões de autógrafos.

Sim, eu estou apostando que ano que vem será melhor ainda.

Mas como nem tudo é glamour, entre alguns fatos engraçados e nervosos que me aconteceram lá, no dia 02/11/13, no dia do Guilherme Fiuza, eu cheguei lá, mas o resto da equipe não, vejam só vocês… (e ainda mandaram mensagens “chatas” insistindo para EU não me atrasar) e claro, o Fiuza chegou, chamaram as pessoas que gostariam de entrevista-lo e eu estava sem câmera alguma! E aí que nervosamente deixei uma equipe passar na minha frente… 15 minutos se passaram e nada da equipe chegar! E aí então abriram a porta da sala de entrevistas e falaram “E aí? É agora ou nunca!” e eu pensei: OMFG! (sim, eu penso em expressões americanas… influência de tantos seriados na minha vida)

*Gente, vocês devem levar em consideração que eu não tenho prática com isso, que eu não me profissionalizei nisso e toda a mudança no contexto me deixou suando, né?*

Entrei na sala nervosa, liguei o gravador do meu iPhone – que eu nunca uso -, me falaram que eu tinha apenas 5 minutos e fui apresentada pro Fiuza.

*coitado, deve ter quase sentido pena (ou desprezo kkkk) de mim e do meu estado de timidez e nervosismo*

Mas ele foi muito simpático, é claro, super de boa, fiz apenas duas perguntinhas para ele que vou tentar transcreve o que ocorreu abaixo:

Moral da História: “Gostaria de saber sua opinião sobre as últimas repercussões sobre as Biografias não-autorizadas, sobre serem colocadas como contra a lei e etc.” (gaguejando, é claro!)

Guilherme Fiuza: “Me parece que tem uma coisa que soa errada, que é a motivação que levou a isso. Porque nós vimos um grupo chamado “Procure Saber” que é constituído por artistas sensacionais, nossos ídolos, mas com um tipo de reivindicação que soa estranho, porque o Chico (Buarque), o Gil (Gilberto), o Caetano (Veloso), com exceção do Roberto Carlos, todos eles tem sido biografados em várias obras de uma maneira muito positiva, as vezes até complacente, o que não é um problema, é uma visão sobre a vida dessas pessoas. Mas então o que me incomoda… [essa hora ele para porque me viu mexendo no celular (fiquei com medo de não estar gravando porque a tela apagou) e ele me questiona “Isso está sendo gravado mesmo?” kkkk e eu com o rosto vermelho confirmo “Está sim, rs”] … é que várias biografias e retratações do Chico, por exemplo – um dos membros mais ativos do movimento – são muito positivas, sem polêmica, sem a intenção de mostrar um lado sombrio ou cruel… enfim, não há nada que indique que esses artistas estão sendo difamados e que eles possam dizer “BASTA DE EXPOSIÇÃO”, com exceção do Roberto Carlos, que teve uma biografia não-autorizada que ele proibiu por razão que a gente já conhece, Roberto Carlos é um cara que cultiva essa imagem de Mito, que aliás eu acho essa coisa de mito super legal, apesar de ser meio artificial, ele realmente tem um carisma, algo diferente… é grandioso.
Mas esses caras (do movimento) entraram numa canoa furada, ao meu ver, porque eles trouxeram uma premissa que é errada, que é você dizer “O Brasil precisa agora de uma autorização de quem está sendo retratado”… isso é uma loucura, não existe em uma democracia, e eu fico imaginando a real motivação. Esses artistas perderam muito em arrecadação com internet, porque internet, no Brasil especialmente, confunde liberdade com pirataria (…) e talvez esse grupo assessorado de maneira oportunista, eu não sei, tenham visto essa perspectiva: “Estamos perdendo arrecadação com a internet, vamos ganhar com biografias, reportagens ou com retratações dessas pessoas”. Mas não sei, me pareceu que tem algum motivo que a gente não sabe, porque  o princípio em si me é uma coisa inaceitável. 

Moral da História: Sua última biografia publicada foi Giane, e eu gostaria de saber como foi, de ser humano para ser humano, lidar com aquele momento dele (do tratamento contra o câncer)?

Fiuza: “Em primeiro lugar, eu não conhecia o Gianecchini e foi o único dos meus livros que eu não propus, a proposta veio da editora e eu cheguei a dizer não, porque eu não conhecia o Giane e eu não via razão para fazer essa história, mas depois da insistência do meu editor, fui dar uma pesquisada e conversei com algumas pessoas e aí eu suspeitei que de fato poderia haver um personagem especial ali.
E foi uma grata surpresa, porque esse Gianecchini galã que teve câncer, essa história não é nada perto da história dele pessoal. A história dele é muito original, ele é quase um predestinado que sai do interior de São Paulo sem nenhuma referência, sem nenhum caminho previamente aberto, sabe? Dos personagens que já abordei ele é o mais original, ele é o mais surpreendente, o mais louco de todos… mas só vai entender quem ler o livro. E a relação foi muito boa porque eu a princípio eu não ia fazer esse projeto, e depois que resolvi fazer, eu coloquei um ponto de partida para o Giane, que foi o seguinte: ele estava se curando de um câncer muito grave e em nenhum momento eu queria me sentir como um aproveitador, então disse para ele que se em algum momento do processo, a existência de um livro o incomodasse, se interferisse no processo de recuperação de sua saúde, a gente abandonaria o projeto na hora.
O que é um acordo arriscadíssimo pro meu lado, mas era uma questão da minha consciência, e acho que ele recebeu isso muito bem, porque ele sabia desde o início que eu contaria essa história de forma independente. Inclusive sugeri a ele que se ele quisesse apenas narrar a sua história para alguém escrever, eu indicaria pessoas que fazem isso muito bem, mas que se ele quisesse fazer isso comigo, eu teria que ter independência para escrever e contar da forma que eu desejasse. E ele foi corajoso e tranquilo com isso.
Eu fiz o livro que queria, e no final ele tinha a prerrogativa de ler, não para mudar a história, mas para corrigir algum erro factual, e se houvesse algo que o incomodasse gravemente, ele iria apontar mas não iriamos mudar, o que poderíamos fazer era não publicar o livro.
Na hora de ler ele disse “não quero fazer nenhum comentário, se tem algo que me incomoda, deixa o público conhecer”.

Moral da História: “Legal! Bem, era somente isso, muito obrigada!”

Fiuza: Obrigado! 🙂

E foi isso gente, alguns constrangimentos com o iPhone, encerrei a entrevista porque, na verdade, já estavam esperando por ele na outra sala, mas espero que com essa transcrição um tanto amadora, rs, vocês possam ter noção do quanto foi interessante e do quanto fiquei feliz com a oportunidade que foi dada lá.

Assim foi a minha experiência na Feira, momentos altíssimos, momentos de muito nervoso e constrangimento, momentos de felicidade e gratidão, enfim, bons momentos, rs.

Moral da História!:
Agora eu quero ler os livros do Luis Eduardo Matta, que sim, conheci lá (shame on me), mas que foi muuuito legal comigo. Os seus livros possuem tanto uma aparência quanto uma sinopse interessante, e por fim, eu estava babando. ❤

Eu quero ler Giane, uma biografia do Reinaldo Gianecchini, porque o Guilherme Fiuza sabe vender seus livros e me deixou super curiosa.

Quero que o Jan Santos possa receber o apoio necessário para lançar logo seu livro sobre o universo de Hélade *-*

E, por fim, a vida é uma caixinha de surpresas, afinal, quando eu poderia imaginar que um dia eu estaria escrevendo minha dissertação de mestrado em BIOTECNOLOGIA, e no outro (literalmente) entrevistando autores de livros super interessantes? Aiai, eu gosto desse tipo de surpresa 😀 haha

Abraços Fraternos e até mais!

P.S.: Links interessantes da feira:

Relatos de um mundo sem luz – Jan Santos

Tatiana Malafaia (cantora e psicóloga)

Blog na Globo do José Castello

LCM Eventos (Marinho Junior)

Luis Eduardo Matta

Blog na Época do Fiuza

 

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Sobre vanessacorrea87

Em uma frase resumo toda minha paixão e sede por livros, filmes, mitos, filosofia, psicologia, ciência, tecnologia e afins: "Portanto, mais importante do que o que se foca, vê, lê ou ouve é o que se desperta, de si mesmo, na medida em que se foca, vê, lê ou ouve." JT E é nisso que eu acredito e pauto o meu viver! :)
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3 respostas para Resumo da 1ª Feira do Livro de Manaus e uma “mini entrevista” com Guilherme Fiuza

  1. Eu estava super ansiosa para ver as gravações de vocês! Parabéns pela cobertura na feira, as entrevistas estão ótimas. Eu não acredito que você foi no cara a cara sozinha com o Fiuza, não tive coragem nem de tirar uma foto com ele…

    Eu cometi o pecado de comprar os livros do Luis Eduardo Matta na feira, realmente achei a premissa dos livros cativante. Só que os livros foram realmente caros!

    Beijos, May.

    http://silenciocontagiante.wordpress.com/

    • Oie Mayara 🙂 Poxa obrigada! Pois é encarei o medo, a vergonha e o nervosismo e acho que deu mais ou menos certo hahaha.
      Você já começou a ler os livros dele (do Luis Eduardo)? Estou doida de curiosidade, ainda não deu para eu comprar… sabe como é, minhas cotas de compras para livros estouraram há um tempinho, rs, e ainda estou com uma lista imensa de desejos.

      Bjooooos!

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