[Sobre] O Oceano no Fim do Caminho de Neil Gaiman

Olááá meus queridos,

Veni, Vidi, Legi para vocês!

*Eu adoro ficar falando essa frase, parece um feitiço do Harry Potter*

Veni, Vidi, Legi é o nome do Clube do Livro que estou participando! \o/ RÁ! Que demais, sempre quis participar de um 🙂

E foi escolhido para ser debatido no mês de Dezembro o livro que faz jus ao título desse post. ^^ Adorei, porque justamente estava querendo tirar o Neil Gaiman da minha listinha de autores que todo mundo já leu, menos eu.

Mas vamos às minhas considerações após a leitura do livro. (SEMANA QUE VEM VAI SAIR O VÍDEO SOBRE, SE INSCREVA AQUI, PARA NÃO PERDER).

O Oceano no Fim do Caminho é o mais novo romance para adultos de Neil Gaiman, publicado aqui no Brasil pela maravilhosa Editora Intrínseca, com uma edição ótima, em 208 páginas de pura fantasia, nostalgia e alma humana.

oceanonofimdocaminho

O Narrador nos conta sua história com destaque ao um fato interessante que ocorreu na sua infância, seu nome não é revelado, mas sabemos que ele está em Sussex, na Inglaterra ❤ e tem mais de 40 anos.

Após um funeral, ele decide dirigir até a sua antiga casa, onde passou maior parte da sua infância. Mas ao chegar lá, ele percebe que não era para sua antiga casa que estava sendo atraído, mas sim para uma fazenda que ficava ali próximo, a Fazenda Hempstock (aliás esse nome, né? Meio sugestivo), onde conheceu sua amiga chamada Lettie, que morava nesse lugar junto com a mãe e a avó.

A Fazenda tinha um lago, relativamente pequeno, mas que a Lettie insistia em chama-lo de Oceano! Mas o mais interessante ocorre quando o nosso narrador chega até essa fazenda e é tomado por lembranças antigas, há tanto tempo esquecidas no passado. Essas lembranças tem a ver com coisas muito assustadoras para uma criança de 7 anos, entre elas, um suicida, que realizou esse ato dentro do carro de sua família – do narrador -, caindo em cima da sua revista preferida semanal.

Esse ocorrido desencadeou vários acontecimentos bizarros em sua família, a amizade com a Lettie e a entrada em um mundo muito estranho e diferente, um mundo mágico recheado de medo, emoção e sabedoria.

Minhas marcações *-* Passagens (quotes) que amei :)

Minhas marcações *-* Passagens (quotes) que amei 🙂

Eu não tenho muito costume, ainda, de utilizar os marcadores adesivos durante uma leitura. As vezes quando eu lembro, eu marco algum trecho. Mas vejam só o que ocorreu com esse livro! Tem muita marcação para apenas 200 páginas de história, rs. Pelo menos foi o que eu achei, pois já que não tenho esse costume, estranhei muito a necessidade que eu tinha para marcar, quando eu estava lendo sem os adesivos por perto, já ficava tensa.

Eu já li também nesses últimos dias Os Livros da Magia, do mesmo autor, o Neil Gaiman, ainda vou postar sobre ele semana que vem. AGUARDEM! Mas só estou falando isso agora porque eu estou descobrindo um mais novo autor para se candidatar a meu ídolo, para entrar no meu TOP 5, ou coisa do tipo, rs. Só não confirmo isso agora, porque sei que ele já fez muita coisa, tem muitas publicações e quero conhecer mais essa obra toda antes de me adiantar e coloca-lo em algum pedestal junto com o Tolkien, por exemplo. Hahaha.

Talvez seja necessário, de fato, no mínimo ter uma queda por Fantasia/Fábula/Mitologia. Se não for o caso, acho que pouco irão encontrar sentido em O Oceano no Fim do Caminho, ou pior, vai parecer Uma Maluquice sem Fim.

O que obviamente ocorre nessa história, é uma crise de escapismo. Quando o narrador volta aos 7 anos, ele lembra que sua família estava vivendo uma crise, que seu pai era um p%$# de um hipócrita, que um  suicida havia aparecido no carro da família e que ele era louco por livros, lia absurdamente! Então, toda vez que algo o aborrecia muito, ele “escapava” para o mundo dos livros (normal 😡 não vi nada muito bizarro aí). O que poderia justificar toda a magia que ocorreu, a fantasia e a jornada feita por ele e por Lettie (que aparentava ter 11 anos).

Acredito que tem uma pegada meio auto-biográfica nesse livro, o próprio Neil Gaiman, nos agradecimentos cita que não é a família dele, ou sobre, mas que utilizou alguns detalhes para construir a história. E acho importante dizer isso, porque só assim para descrever em detalhes e tão profundamente alguns sentimentos infantis.
O quanto o mundo adulto nos era incompreensível, o quanto gravávamos na memória informações um tanto desconexas porque na época era só aquilo que conseguíamos captar. E o principal de tudo, o quão melancólico e assustador pode parecer algumas lembranças lá do fundo de nossa jornada de vida antes de “virarmos adultos”, o quão diferente enxergávamos algumas coisas, tudo parecia ser tão grande, tão superior e mais forte.

Em casa, meu pai comia todas as torradas mais queimadas. “Humm!”, dizia, “Carvão! Bom para a saúde!”, “Torrada queimada! Minha preferida!”, e devorava tudo. Quando eu já era bem mais velho, ele me confessou que jamais gosto de torrada queimada, só comia para não desperdiçar, e, por uma fração de segundo, minha infância inteira pareceu uma grande mentira: foi como se uma dos pilares da fé sobre os quais meu mundo fora erigido tivesse  se desfeito em pó (pág. 28).

Esse é um exemplo, das várias possibilidades, que temos de gravar na memória um fato, mas só até onde temos capacidade de compreender. Provavelmente até existia um tom de sarcasmo e ironia na voz do pai, mas nosso narrador menino não enxergava assim. Outra parte que fala sobre um sentimento que ele tinha quando criança, que me chamou muito atenção foi:

Eu me perguntei, como frequentemente me perguntava quando tinha aquela idade, quem eu era e o que exatamente estava olhando para o rosto no espelho. Se o rosto para o qual eu olhava não era eu, e sabia que não era, porque eu ainda seria eu não importava o que acontecesse ao meu rosto, então o que eu era?! E o que estava olhando? (Pág. 63)

UAU! Amei essa parte, apesar de duvidar que um garotinho possa fazer toda essa reflexão, mas eu já tive essa mesma sensação, principalmente quando era criança. Aliás eu tinha até medo de ficar me encarando muito tempo no espelho, porque começava a sentir essa sensação de “não reconhecimento” e isso me assustava. Não sei se todos passam por isso, se já sentiram em algum momento ou se é coisa de gente maluca mesmo (obrigaaada =P), mas quando eu li esse trecho me arrepiei toda, na hora foi algo como “Meu DEUS! Como é que o cara (Gaiman) conseguiu descrever uma sensação que para mim já é tão nostálgica e estava quase que esquecida? Como ele conseguiu resgatar isso tão inocentemente?”. É como se ele tivesse descrito algum segredo mais íntimo meu.

*Bem, não sei, mas eu devo estar me alongando muito nessa “resenha”, porque de fato foram muitas as sensações e sentimentos que tive ao ler esse livro! Ganhou 5 estrelinhas e coraçãozinho no meu skoob!*

Mas se vocês tiverem paciência, eu gostaria de expor só mais algumas coisas .

O livro é rico em mitologia, assim como em Os Livros da Magia, Gaiman tem uma pegada muito forte da Jornada do Herói descrita por Joseph Campbell (aaah como eu amo). Há o chamado para aventura, há o medo e a negação, há a entrado no mundo mágico, há os ensinamentos sábios/iniciações e há o retorno ao mundo ordinário!

*Minhas histórias preferidas seguem esse roteiro, quer dizer a maioria das histórias do mundo segue, mas poucas conseguem se aprofundar em cada campo desse ciclo, descreve-los de forma quase que espiritual*

E bom, falando nisso… se me permitem desabafar, apesar do óbvio escapismo, acredito que há algo muito mais profundo para se retirar dessa história.

E quem ainda não leu, e não quer nenhuma explicação mais profunda sobre, melhor parar por aqui, volta depois, pois quero saber a opinião de todos ^^

Mas enfim, a forma como o autor coloca as 3 mulheres da Fazenda Hempstock, me pareceu uma alusão muito forte a trindade, a tríplice força da natureza, ou qualquer nome que equivalha e queiram chamar.

Triskle Celta. Representa a Trindade :)

Triskle Celta. Representa a Trindade 🙂

Esse símbolo celta, pode representar vários grupos de trindade, por exemplo, nascimento, vida e morte; ou corpo, mente e espírito; ooouuu o que se encaixa perfeitamente a história a Donzela, a Mãe e a Anciã. Essas representam as fases da vida e até, o que a natureza tem para nos proporcionar, como serva, mãe e mestra.

Entre outras reflexões interessantes, tem a parte quando ele entra no Oceano! Aaaaah que parte minha gente, que descrição! 🙂 Gosto mesmo de tudo isso! Parte da fala da Lettie e da reflexão do nosso narrador:

… Nunca o suficiente de você reunido em um só lugar, de um jeito que não haveria nada que restasse e que poderia pensar em si mesmo como um “eu”. Nenhum ponto de vista, não mais, porque você seria uma sequência infinita de vistas e de pontos…

Eu ia contra-argumentar. Ela estava errada, tinha que estar: eu amava aquele lugar, aquele estado, aquela sensação e nunca mais iria embora (pág. 165).

Para mim é aqui que o Herói atinge o ápice da Jornada, a revelação, a iluminação. E eu pensei no Oceano como Deus, ou o que chamam de éter (uma parte da ciência cósmica já explica isso um pouco), de plasma da vida, entre outros nomes.

Outros trechos interessantes remetem a própria ciência, como o comportamento dos átomos para identificar a origem e tempo do objeto (tudo bem que isso é citado em um contexto fantástico, rs), tem também uma leve pitada de viagem entre dimensões através de buracos de minhoca. Sabe? Aquele buraco (que antes estava no formato de um verme, de uma minhoca) feito pela Ursula Monkton. Inclusive uma parte desse buraco fica no coração dele, que pode tanto representar a capacidade dele visitar essas outras dimensões de vez em quando (o que justifica a “volta da memória” quando ele retorna a fazenda) ou também o vazio que a Ursula deixa no peito dele após destruir algumas seguranças infantis que ele ainda tinha.

200 páginas e eu escreveria mais 100 justificando cada pensamento e sentimento que passou por mim durante a leitura! Por essas e outras, não tenho mais o que falar se não dizer que amei, que me diverti e ainda por cima que me levou a uma reflexão mais profunda mesmo, que toda boa leitura deve fazer. 🙂

Bem povo, eu sei que me estendi muito, espero que pelo menos alguém leia isso tudo kkkk para ver se concorda em algo, ou se viajei total. Enfim, no mais, espero de alguma forma contribuir para mais incentivo de leitura e com a discussão que será feita no clube do livro que agora faço parte! ^^

Moral da História!: O Oceano é um destino comum a todos. Invariavelmente encontraremos ele no fim do caminho 🙂

Abraços Fraternos,

Até mais!

p.s.: Me perdoem se houver algum erro na escrita (seja de português ou de digitação), terminando de escrever de madrugada e já estou dormindo u.uZZzZz, qualquer erro podem me corrigir sem melindre algum 😀

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Sobre vanessacorrea87

Em uma frase resumo toda minha paixão e sede por livros, filmes, mitos, filosofia, psicologia, ciência, tecnologia e afins: "Portanto, mais importante do que o que se foca, vê, lê ou ouve é o que se desperta, de si mesmo, na medida em que se foca, vê, lê ou ouve." JT E é nisso que eu acredito e pauto o meu viver! :)
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5 respostas para [Sobre] O Oceano no Fim do Caminho de Neil Gaiman

  1. Tany disse:

    Muito bom poder ler uma resenha maior. 🙂
    E eu acho interessante como cada livro toca cada pessoa de uma forma diferente. Literatura é uma coisa linda, né? Mas como disse no grupo, ele não me fisgou assim. Acredito que as referências que ele usou, sejam históricas, pessoais ou simplesmente, aleatórias devam ser mais interessantes que história em si.

    Espero também um dia ler algo sobre a familia da Lettie porque foi o que salvou o livro e tem muuuuita coisa por trás dela.
    De resto, amei a resenha, mesmo!

    • Obrigada Taaaany! ❤
      Num é? Acho que o mais interessante da cultura literária é isso: a variedade, que é capaz de despertar e tocar os mais diferentes tipos de alma! *-*
      E no grupo iremos, sem dúvida, perceber isso a cada livro!

  2. Brunna disse:

    Vanessa, que resenha linda! Gostei muito como você comentou sobre as influências mitológicas tão presentes nos romances do Gaiman (só não comento isso na minha resenha porque não sei muito sobre e prefiro não arriscar, rs). Parabéns!

    Eu também adorei o livro, por sinal. Cheio de simbolismos, gosto muito disso! 🙂

    Beijos

    http://dobrodametade.blogspot.com

    • Obrigada!
      Ah também não entendo lá muita coisa não, já li e estudei algumas coisas, porque também amo muito tudo isso 😀 e me arrisco a falar só sobre as coisas que estão mais vivas em minha mente, gravadas, volta e meia é necessário fazer um novo estudo, uma nova pesquisa, rs.

      Já vi então que nos daremos muito bem com nossos gostos literários, haha! Já conhece os livros de Joseph Campbell?

      Beijooos e correndo para ir ler sua resenha tbm 😀

  3. letícia disse:

    Eu acabei de ler o livro e ainda to confusa do que entendi, então comecei a procurar resenhas que me ajudassem a entender oq eu não sei se captei direito e li várias (tanto no skoob quanto em blogs) e parece que todo mundo escreve a mesma coisa, quer explicar a sinopse do filme e no fim ta todo mundo falando igual, sabe? Tem 100 resenhas e as 100 dizem a mesma coisa com palavras diferentes.
    Ai achei a sua e nossa, OBRIGADA. Eu vim aqui só para agradecer mesmo.
    Muito legal sua percepção, coincidiu com oq eu penso e esclareceu oq eu achava q pensava (haha).

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