[Especial Capote] As paredes são Frias / Um vison próprio

Olááá meus queridos, tudo bem?

Então… como já disse em algum post anterior, eu vou falar um pouco sobre as minhas experiências lendo Truman Capote. Para cumprir com isso, hoje venho aqui, para divagar um pouco sobre dois contos de sua autoria.

Para conhecer a obra de Capote, resolvi começar… do começo, né? Acho que faz sentido. Então estou lendo o livro chamado “20 Contos de Truman Capote” publicado pela editora Companhia das Letras. E a título de informação, os contos estão completos nessa coletânea 🙂

O primeiro conto se chama “As Paredes são Frias” e começa assim:

“…então Grant disse a eles para virem conosco a uma festa maravilhosa, e bom, foi fácil assim. Realmente, eu acho que foi genial trazê-los, Deus sabe que eles são capazes de nos ressuscitar do túmulo.” A garota que falava bateu a cinza do cigarro no tapete persa e olhou com cara de desculpa para sua anfitriã.

Esse conto é sobre Louise uma anfitriã entediada, que não vê a hora das pessoas irem embora de sua casa. Porém para seu aborrecimento uma amiga traz para a festa um grupo de marinheiros.

Acostumada com as convenções sociais, ao dar as boas vindas ao grupo, um deles chama sua atenção, o Jake.

Jake, um rapaz simples e completamente deslumbrado com a riqueza do local, pela beleza e elegância da anfitriã, logo deixa óbvio sua admiração por Louise que se diz ter 16 anos!

Conversa vai… conversa vem…  Louise convida Jake para conhecer todo o apartamento, inclusive seu quarto. Convicta da atração que exerce sobre o rapaz, ela se assusta com a observação que ele faz sobre seu quarto “não gosto das paredes… elas parecem muito frias.”

Acontece uma cena muito estranha de sedução, Louise toca no nome de um outro homem, que aparentemente com quem tem se decepcionado e pergunta se Jake não quer beija-la.

Em seguida algo acontece que prefiro omitir porque poderia ser considerado spoiler, mas é surpreendente e…

E aí o conto termina!!!

Geeeente, como assim?! Hahaha É o seguinte, estou me acostumando com essa onda de contos, mas eles possuem a mania de não passar uma mensagem muito óbvia do que aconteceu, pelo o que eu percebi, 90% dos contos que li ou ouvi nesses últimos dias acabam sem você entender exatamente o que se passou por ali… ou eu sou muito burra mesmo!

E você pode questionar, isso te incomoda Vanessa? Tá chateadinha com isso? E eu respondo “SIIIM!” mas logo posso complementar “E o pior… estou me viciando nisso!!!”

Estou achando incrível, são histórias que podem fazer sua mente dar cambalhotas em pouquíssimas páginas, em alguns minutos de entretenimento.

E vamos ao segundo conto então, ele se chama “Um vison próprio” e começa assim:

A sra. Munson acabou de entrançar uma rosa de linho no cabelo castanho avermelhado e recuou do espelho para avaliar o efeito. Então correu as mãos até os quadris… o vestido era justo demais, esses era o problema. “Uma mudança não vai salvá-lo”, ela pensou, irritada. Com um último olhar depreciativo para seu reflexo, virou-se e foi para a sala de estar.

A história então é sobre a sra. Munson e o quanto ela parece estar insatisfeita com barulho de crianças que entra pela sua janela do apartamento, com a sua aparência, com a sua influência… enfim… com seu estilo de vida.

Ela sempre faz questão de lembrar em todos seus eventos sociais que tem uma amiga chamada Vini Rondo, e o fato dela morar na Europa, de ter visto os alemães agindo na Segunda Guerra, de como ela era talentosa, inteligente, muito rica, casada com um barão ou um conde… tanto faz, enfim, como ela era um sucesso!

A sra. Munson falava da amiga com o orgulho como se estivesse falando sobre ela mesma.

E finalmente para completar o êxtase, Vini Rondo estava vindo naquela tarde em seu apartamento para visitá-la.

Ao toque da campainha, sra. Munson abre a porta e se depara com uma Vini Rondo muito diferente da qual lembrava, não porque estava irreconhecível, mas porque estava desarrumada, nada elegante, cabelos bagunçados e carregando uma caixa rosa.

Tentando esconder a decepção, sra. Munson puxa assuntos de forma distraída.

Para piorar a situação, Vini Rondo traz em sua caixa um Vison, um casaco de pele, que sempre atraiu a admiração de Munson e pergunta quanto ela poderia pagar por ele.

Munson perdida em pensamentos sobre a situação da amiga que tanto idolatrava, aceita pagar um valor exorbitante, experimenta o casaco e mesmo com ele não cabendo perfeitamente nela, ela tenta aparentar que está feliz com a aquisição.

Em uma situação constrangedora as duas se despedem e sozinha agora no quarto com o casaco de Vison, a Sra. Munson tenta raciocinar o que aconteceu ali e a loucura que tinha acabado de cometer gastando uma boa grana naquele casaco.

Mas quando nada mais poderia ser pior, algo acontece com o casaco e…

E sim, o conto termina! 🙂

Até agora estou adorando o que Capote tinha guardado dentro dele. Para mim chega a ser um pouco perturbador os temas que ele faz questão de destacar, esse mundo de deslumbramentos, de ilusões, de futilidades, que incrivelmente mexem com algo mais profundo em nós humanos. E por ser perturbador mesmo, que tem gerado curiosidade, é como se eu estivesse desvendando aos poucos como o ser humano se relaciona com as ilusões, o psicológico envolvido nisso… sei lá, acho mesmo interessante.

E a Moral da História de hoje, ou das histórias, seria algo um tanto psicoanalítico, e como não sou uma conhecedora da área poderia falar muuuuita besteira. Mas para mim fica de lição que tem algo interligado entre a solidão, a frustração, a baixa auto-estima e o uso cada vez maior de uma válvula de escape, que muitas vezes, é representado por algo fútil e medíocre. E que tudo isso pode reverberar em uma dor muito maior no peito.

Enfim… por hoje é só (que foi muito) e no canal do Youtube tem resenha nova, ok?! Dessa vez é sobre Maus! Meu mais novo queridinho, um quadrinho de Art Spiegelman. Quem tiver interesse, dá uma passadinha por lá também. ^^

Abraços Fraternos e até mais!

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Sobre vanessacorrea87

Em uma frase resumo toda minha paixão e sede por livros, filmes, mitos, filosofia, psicologia, ciência, tecnologia e afins: "Portanto, mais importante do que o que se foca, vê, lê ou ouve é o que se desperta, de si mesmo, na medida em que se foca, vê, lê ou ouve." JT E é nisso que eu acredito e pauto o meu viver! :)
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