[Escrevendo sobre] Bling Ring – A Gangue de Hollywood

Olááá meus queridos, tudo bem?

Recentemente eu li o livro Bling Ring da jornalista Nancy Jo Sales, publicado no Brasil pela editora Intrínseca (que por sinal tem feito um ótimo trabalho com suas publicações, estou amando) e depois também vi o filme dirigido pela Sofia Coppola. Os dois estreados esse ano [2013].

Capa do Livro

Capa do Livro

Cartaz do Filme

Enquanto o livro é um Relato Jornalístico, ou seja, conjunto de artigos, entrevistas, declarações e dados estatísticos, o filme é a dramatização dos personagens principais envolvidos nesse caso, que para deixar bem claro, é um caso real.

Que caso Vanessa?

O caso da Gangue de Hollywood, a Bling Ring, que era formada por jovens, que entre os anos de 2008 e 2009 invadiram e assaltaram casas de celebridades.

Eles não queriam simplesmente roubar os objetos caríssimos das celebridades, eles estavam tentando roubar o “estilo de vida” deles. Que “estilo de vida”? Aquele que é representado pela fama inexplicável, pela luxuria, extravagância, pela futilidade nos comportamentos, pela vida leviana aparentemente “despreocupada” com o que está em sua volta, pelo apelo sexual exagerado, envolvimentos com drogas, álcool e dívidas com a justiça.

De repente, esse tal estilo de vida começou a ser tão admirado e desejado pelos pré-adolescentes e adolescentes americanos, ainda que não tenha moralidade, bom senso e serviço a humanidade relacionados com o processo, que a jornalista Nancy tenta investigar as causas disso tudo.

As vítimas invejadas eram pessoas como Lindsay Lohan (que já respondeu a vários processos com a justiça, por porte de drogas, embriaguez na direção e roubo), Paris Hilton (que se tornou famosa simplesmente por ser milionária desde sempre e levar uma vida tão superficial e fútil quanto um vídeo íntimo exposto na internet o permita) e outras celebridades famosas pela sexualidade exposta, adoradas como deusas e exemplos a serem seguidos.

*Nada contra essas pessoas que são tão vítimas da vida quanto elas mesmo permitiram, mas contra elas terem se tornado objeto de veneração, alienando, assim, o povo dos assuntos que realmente importam. E provavelmente a culpa está em algo muito mais profundo e importante.*

Esses jovens sem terem noção do crime que estavam cometendo, encaravam esses roubos como aventuras para serem contadas aos amigos e colegas, uma forma de provocar admiração e inveja nos mesmos.

Jovens que foram indiciados. Da Esquerda para a Direita, no alto: Rachel Lee, Diana Tamayo, Jonathan Ajar e Alexis Niers; embaixo: Nick Prugo, Courtney Ames e Roy Lopes.

Indiciados por invasão e roubo. Da Esquerda para a Direita, no alto: Rachel Lee, Diana Tamayo, Jonathan Ajar e Alexis Niers; embaixo: Nick Prugo, Courtney Ames e Roy Lopes.

Sem base moral e sem a utilização do bom senso, o caso todo se transformou em um grande circo, e a apresentação principal era do Fantasma da Fama. Até hoje muitas coisas não foram esclarecidas do caso por envolver tantas influências, pessoas famosas e mentiras convenientes.

Nick Prugo e Rachel Lee, líderes da gangue, demonstraram que viveram o ápice da estupidez juvenil, explicando que essa era forma deles fugirem de seus problemas pessoais.

Alexis Neiers um arquétipo da adolescente fútil e superficial, interpretada por Emma Watson no filme, soltava frases como “Eu acredito em karma e sei que tudo isso aconteceu para que eu pudesse desempenhar um papel importante, mostrar para a sociedade a verdade” e rapaz, no fim de tudo não é que pensei que talvez ela tenha razão(?). Afinal ela mostrou o quanto a nossa sociedade está vivendo de forma desequilibrada, esgotando suas energias querendo alcançar expectativas consumistas, estéticas e apelos sociais, que nem mesmo deveriam ser tão valorizados.

O Filme se bem compreendido, principalmente pelas pessoas que buscaram entender o caso verídico antes, pode ser muito bom, pois capta as emoções e as ilusões vividas por esse grupo, podendo inclusive, expandir para todos nós que ainda nos comovemos a ver um Louboutin, ou um universo de prazeres desenfreados e desmedidos.

A questão é, estamos vivendo para quê mesmo?! O nosso papel está em obter o máximo de status possível? Baseado em quê? Em quem? Quem ditou as regras? Por que a Paris Hilton tem que está acima de mim? O que ela realizou pra ser tão mais valorizada que Madre Tereza de Calcutá? Ou menos ainda, do que um simples trabalhador honesto que sustenta uma família?

E sinto que enquanto não nos conhecermos ao ponto de saber separar o que de fato nos é necessário e o que só corresponde a vontades superficiais, não sairemos desse ciclo um tanto imbecil, de perda de tempo com coisas que pouco acrescentam a humanidade.

Enfim, não vou repetir o que já pode ser óbvio, só acho que o livro me fez ver o quão importante é tomarmos as rédeas de nossas vidas em nossas próprias mãos e nos responsabilizarmos não só por nós mesmos, mas por um contexto maior, pelo que está em nossa volta, afinal nossas escolhas reverberam.

Eu gostei do filme e do livro, descobri também que tenho uma grande queda por biografias e relatos jornalísticos 🙂 vi muita gente reclamando da forma que Nancy escreveu, mas talvez por não curtir esse estilo. No meu caso, me instigou na maioria das páginas.

Algumas pessoas também reclamaram do filme, não acho que de fato foi o melhor de Sofia, mas após ter lido tudo sobre o caso, achei muito bacana captar as impressões e as emoções dos jovens, e acho que ela fez isso bem.

No meu Filmow, o filme Bling Ring recebeu 3,5 estrelinhas! E no meu Skoob, o livro recebeu 3 estrelinhas! 🙂

Eu gravei um breve vídeo sobre Bling Ring, caso tenha curiosidade em assistir, segue abaixo o link:

Pela qualidade da imagem, do som e da edição, devo agradecer aos amigos Albieri, Nilton e Diana, que me ajudaram a fazer algo superior aos vídeos anteriores do canal 🙂 Agora pelo conteúdo prometo melhorar! Confesso que fiquei muito nervosa com um público me assistindo ao vivo, com câmeras e microfone, rs. Mas estou trabalhando nisso, ok? 😉 Então descontem essa “resenha” um tanto incompleta.  Mas se gostarem, inclusive pela melhora na qualidade, se inscrevam no canal para que possamos crescer e formar um grupo legal de discussão.

Moral da história de hoje: Não importa se você gosta de coisas fúteis, ou se pode comprar coisas caras, mas o que importa mesmo, é se você consegue controlar, ou se você é controlado por elas.

Abraços Fraternos e até mais! ^^

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Sobre vanessacorrea87

Em uma frase resumo toda minha paixão e sede por livros, filmes, mitos, filosofia, psicologia, ciência, tecnologia e afins: "Portanto, mais importante do que o que se foca, vê, lê ou ouve é o que se desperta, de si mesmo, na medida em que se foca, vê, lê ou ouve." JT E é nisso que eu acredito e pauto o meu viver! :)
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6 respostas para [Escrevendo sobre] Bling Ring – A Gangue de Hollywood

  1. Mônica disse:

    Estou muito animada para ler o livro e ver o filme! Acho que o mais legal de tudo é saber que aconteceu de verdade, né?
    Beijos
    http://www.gemeasescritoras.com/

    • Olá 🙂 Sim! E se essa é a intenção, pode ficar um pouco incompleto vendo apenas ao filme! Acho que funciona bem mais como um complemento (o filme), deveriam ser vendidos juntos, rs! Livro + Filme!
      Beijos!
      p.s.: Estou conhecendo o blog de vocês, cara, estou achando muito interessante ^^ Parabéns!

  2. Milena disse:

    Qualidade shoooow nessa! Uma professora indicou o filme recentemente em uma aula lá na faculdade, fiquei super interessada e agora mais ainda. Como você bem explicitou, acredito que possamos refletir sobre nossa sociedade atual através de histórias como essas.
    Beijo no coração!

    • Sim! É excelente tirar algumas lições e entender um pouco mais da psicologia humana! Sei que vai ser fichinha você sentia a empetia necessária para compreender a mensagem do filme! Mas se quiser compreender melhor sem ler o livro, indico a assistir algumas entrevistas sobre a Bling Ring ou mesmo outras resenhas 🙂 Tem muitos dados estatísticos no livro sobre problemas vividos na adolescência e pré-adolescência, apesar de soarem um tanto sensacionalista, com um pequeno filtro de bom senso dá para tirar ótimos dados! 😀

  3. Erika Izumi disse:

    que legal!!! essa história me fez lembrar um fato da infância! quando era pequena eu sempre ia passar o fim de ano na casa da minha vó, e lembro que uma vez começaram a construir uma mansão no terreno ao lado, e que dava pra pular pelo telhado da casa da minha vó para o telhado da casa em construção!.. imagina né, era uma diversão pra mim e para meus primos, irmos de noite lá com lanternas e ficar explorando a casa recém-construída ainda desabitada… me lembro de admirar o tamanho da casa, ficar imaginando onde seriam os quartos, sala, etc, e também para quê uma casa daquele tamanho!!! é muita casa pra pouca gente!!!…. moral da história da minha infância (neste caso): explorar a imensidão da futilidade das pessoas é muito divertido!!!… hahahahahahhaa

    • Pura verdade Erika! Hahaha vide a audiência dos reality shows (que nem são tão reality assim) mas por isso que devemos ficar atentos para que algo que pode ser pura distração não nos controle, né?
      No meu caso, quando era criança (na verdade pré-adolescente), teve algo parecido, eu estudava no centro da cidade, e lá tinha umas vilas abandonadas bem pertinho da escola, todo mundo dizia que eram mal assombradas 😡 para quê, né? A gente chegava a fugir da escola para invadir esses locais, sem nem pensar nos riscos de animais por lá, drogados ou o que equivalha, ou até desabamento, sei lá… o que importava eram os fantasmas haha! Jovens tendem a ser inconsequentes… mas no bling ring foi o cúmulo dessa experiência, rs

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