1984 – “Nós somos os mortos” (?!)

Sério! Não deixem de ler esses livros clássicos que estão por aí dando bobeira, você começa entender a origem de muitas outras obras que provavelmente você ama; você começa a perceber com mais clareza como os Seres Humanos são, inclusive você mesmo, algo que você sentia e ainda não tinha conseguido explicar ou expor em palavras, sabe? Aquele seu lado mais obscuro, que não necessariamente ruim. Você começa a ter uma mente muito mais aberta e compreensível para com o mundo afora.

Eu estou in ❤ com os clássicos e imensamente grata ao Kindle por ele ter entrado na minha vida 😀

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Mas vamos ao que de fato interessa para esse post:

1984 é uma distopia, ou seja, uma utopia negativa. E isso já diz muita coisa sobre o livro, imaginem uma realidade horrível e que lhe provoca aflição! Imaginou?

Ao escrever esse livro, George Orwell imaginou e em 1948 quis alertar a população que se algo não fosse feito, aquele pesadelo de imaginação poderia se tornar bem real.

Trata-se da história de Winston Smith e sua vida um tanto medíocre em uma sociedade futurista (sim, 1984), especificamente na Oceania (que no livro abrange as Américas e parte da África).

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De cara você percebe que se trata de uma ditadura e que a população está em um estado deplorável (intelectualmente e fisicamente), o clima me soou um pouco como pós-apocalíptico, onde tudo está em falta e é racionado, o que faz sentido, pois o mundo vive em guerra; é assim do começo ao fim do livro, e sempre foi assim desde que Winston consegue se lembrar.

O povo tem poucas escolhas, os livros são artigos de raridade, onde a maioria foi alterada ou extinguida mesmo, de acordo com o interesse político do partido e do Grande Irmão (tudo gira em torno deles).

Existem padrões de comportamento em obediência a “ordem”.

E se alguém sai desses padrões e ofende de alguma forma os ideais ali colocados, ela simplesmente desaparece, some, de “uma tal forma” como se nem tivesse nascido e ninguém mais fala sobre ela e duvida de sua não existência.

O mais interessante é que tudo isso ocorre na história com a permissão do povo, e mais do que isso, com adoração e aprovação dele!

O Partido nunca proíbe nada de forma objetiva e clara, essas proibições são feitas no subjetivismo dos acontecimentos, percebi que se utilizam do Condicionamento e/ou da Programação Mental na população, o que me lembrou de outra distopia, o Admirável Mundo Novo.

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Admirável Mundo Novo e 1984 possuem outras coisas em comum, como a própria alienação política/social, a existência da pirâmide hierárquica, a utilização de drogas para entorpecer a massa e uma aflitiva falta de esperança, de mudança.

O Grande Irmão, bom orador (me lembrou Hitler) e perceptivelmente comunista (e ditador), está em todos os cartazes espalhados nas ruas e prédios para passar a ideia de “estou de olho em você” e de “sou um ser venerado e amado por todos”, além disso nos intervalos de programas sensacionalistas, gritos estridentes de ódio contra o inimigo da guerra, ele aparecia nas teletelas para falar o quanto cuida e faz bem ao povo.

A teletela é algo como uma TV atual, só que não podia ser desligada, mudada ou até mesmo ignorada e ainda filma tudo que estava do outro lado dela. A teletela é instalada em todos os lugares possíveis e existe em todas as residências, ou seja, nada que você faz passa despercebido! O que inspirou o famoso e popular programa de televisão do nosso universo, o Big Brother!!!

Inclusive, essa ideia do livro recentemente voltou a ser discutida por causa dos últimos acontecimentos envolvendo o querido EUA com a espionagem mundial, né?

Outra coisa que faz lembrar o EUA, é que o livro explica a importância de se manter em guerra – que é para que o topo da pirâmide continue o mesmo, que a população continue assustada e carregando o sentimento de adoração pela sua pátria e pelo seu presidente, ainda que muitas vezes de forma débil.

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É ótimo quando um dos personagens, por exemplo, explica que quem tá no poder nem sabe o que está fazendo ou para quê, não pensa nisso, simplesmente quer o poder pelo poder.

Mas a aflição começa mesmo [sem spoilers] quando você percebe que toda essa situação pode levar pessoas a loucura, ou pior, a mudança de sua natureza inata em favor do interesse de quem só quer estar no topo da pirâmide e nada mais, que até mesmo uma argumentação racional como a de dizer que 2 + 2 = 4 e não 5, se torna inútil e impotente perante a um poderio que faz o que bem entender, como mudar fatos históricos, implantar memórias falsas, praticar as mais terríveis torturas com um ser humano e retirar toda e qualquer esperança em um futuro diferente.

Nesse livro compreendi de fato o que o Yoda quer dizer com MEDO levar a pessoa para o lado negro! O medo faz você entregar a si mesmo, a sua individualidade, a sua consciência e moralidade! Eu hein, tenho é medo do medo! :O

O interessante de tudo isso é que é uma realidade exagerada, bruta, mas não tão distante da nossa. Sem querer discutir política, partidos e etc, confesso que me lembrei desses partidos populistas, se é que vocês me entendem. Aqueles que pregam igualdade social, abaixo ao capitalismo, mas que agem das formas mais amorais e convenientes possíveis.

Mas como o próprio livro diz, a solução está nos “proletas”, ou seja, nas massas, naquela população enorme alienada, que recebe pouca educação, que só quer saber do trabalho pelo salário e assistir sua novelinha no final do dia, sabe? Porque só essa massa pode de fato provocar a mudança e inverter a tal pirâmide, mas é nessa parte que ficamos sem esperança, pois como é dito, COMO e QUANDO essas pessoas vão despertar se nada no círculo delas muda? Se a educação precária e os interesses continuam e continuarão os mesmo?

É meus queridos, nós… será que nós somos os mortos?!. *essa é para vocês lerem o livro e então entender* 😉

Fica a reflexão.

É isso por hoje, espero que tenham gostado, por favor, deixem suas opiniões, se alguém leu o livro, o que achou, se ficou interessado em ler e até mesmo sugestões para uma melhor explanação dos próximos livros.

Ainda estou lendo, quase acabando A Queda de Atlântida – A Teia de Luz, provavelmente será a próxima “resenha” e comecei a ler, também, na onda do medo e do terror, a Antologia de Lovecraft e em breve espero postar sobre os seus contos. J

E a Moral da História é: Clássicos são clássicos porque possuem o poder de expandir consciências por gerações! O medo é o maior medo que devemos ter! E antes que não haja mais esperança, vamos lutar pelas nossas utopias, para elas chegarem mais próximas, quanto possível, de nossa realidade!

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Sobre vanessacorrea87

Em uma frase resumo toda minha paixão e sede por livros, filmes, mitos, filosofia, psicologia, ciência, tecnologia e afins: "Portanto, mais importante do que o que se foca, vê, lê ou ouve é o que se desperta, de si mesmo, na medida em que se foca, vê, lê ou ouve." JT E é nisso que eu acredito e pauto o meu viver! :)
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2 respostas para 1984 – “Nós somos os mortos” (?!)

  1. Erika Izumi disse:

    existem muitos livros que fazem essa “premonição” a respeito do futuro da humanidade… e o que nos aguarda é sempre péssimo!! hhahahahaha… mas é porque tem sempre um grupo de pessoas que ferra com tudo!!! concordam com coisas erradas se apoiando em justificativas absurdas para se convencerem que o errado é o certo a se fazer!… muita gente concordava com o genocidio dos judeus, muita gente concordou com a bomba atômica jogadas sobre cidades inteiras, muita gente concordou que alguém com pele mais escura tinha que ser tratado diferente… e muitos absurdos ainda ocorrem!!!!… nem no mais longíngo (é assim que se escreve?? haha) sonho somos capazes de acreditar que um dia o mundo será um lugar melhor! pq não será!!… aliás, será um lugar melhor se nós humanos não existirmos mais!! hahahaha.. é a única esperança para o planeta viu!… nós não nascemos humanos, nós simplesmente nascemos, nos tornamos humanos (ou não) de acordo com a vida que levamos!! e muitos, muito muitos muitos morrem sem terem se tornado humanos pelo menos uma vez na vida!! é muito triste!!… vc já reparou que praticamente todos os filmes de ETs (adoro falar de ET) eles sempre fazem com que os ETs sejam os seres malignos que vieram atacar os pobres coitados terráqueos!! vieram nos matar, tomar nosso planeta, nos escravizar, etc!! e sabe por que isso?? porque não somos capazes de imaginar um povo vindo de tão longe apenas para fazer amizade e pesquisas científicas!! porque invadir, escravizar, matar e explorar é o que nós faríamos com outros povos se tivessemos a oportunidade de chegar até lá!!! não passa pela cabeça dos humanos que possa existir um povo que não seja assim também!!… é loucura, mas a pura verdade! nem nos filmes de ficção conseguimos supor algo que seja diferente de nós mesmos… é a prova de quanto o nosso raciocínio como um todo ainda é extremamente limitado… nossa, nesse post eu viajei até alfa-centauro, mas já voltei pra Terra (infelizmente!) hahahahah.. bjos 🙂

    • Hahaha adorei suas colocações, é isso mesmo! Eu sou um pouco mais sonhadora, tenho esperanças, maas você acabou matando a charada do título do post: “Nós somos os mortos!”. Depois de ler livros assim, e você ver que se encaixa perfeitamente a nossa realidade, que existem pessoas, inclusive pertinho de nós, com pensamentos tããão, maaas taão mesquinhos, você pensa “Meu Deeeeus, como estamos longe de uma realidade melhor!” e dessa forma acredito que um dia o mundo será melhor, mas que nós somos apenas os mortos, rs. Aqueles que estarão apenas na história de alguma forma, aquela geração que se questionava, se rebelava, mas pouco sabia fazer algo mais concreto para a melhoria do mundo! Mas eu já penso ao contrário, acho que nascemos humanos e vamos nos perdendo na superficialidade dos prazeres e da matéria, sei lá. Precisamos resgatar a moral que é intrínseca a nós, mas que fica cheia de véus por “n” culpas nossas mesmo.
      Quanto as histórias de ETs concordo plenamente com você, por isso minhas histórias preferidas são as que tem uma visão mais profunda sobre isso. E mais viajantes também, hahaha!
      Se você viajou, fui junto! haha =****

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